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Uyuni e Salar do Uyuni – Bolívia

Chegou a hora de falar do melhor lugar do mundo que já passei até agora. Nada será parecido com isso um dia.

Conseguimos um jeep em Tupiza para nos levar até o Uyuni. De lá pra frente foram 2 dias no deserto. Terra batida, poeira e soroche que não acabavam mais. Valeu a pena fazer esse trajeto. Foi bem mais curto e mais tranquilo do que se tivéssemos feito o mesmo de ônibus.

No caminho passamos por duas cidades (Atocha e Salo) e logo chegamos até Uyuni. A cidade não passa de paredes de adobe, ruas iguais, restaurantes e hoteis sem letreiros e uma praça onde todos os mochileiros acabam se encontrando.

Atocha
Atocha

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Salo
Salo

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A fome era enorme e quando chegamos no hostel fomos surpreendidos pela Sara (mulher do nosso motorista Jaime) por um café da manhã com Toddy. A verdade é que os bolivianos conhecem bem os brasileiros e sabem que nós adoramos achocolatado.

Na parte da noite Sara preparou uma sopa de verduras com bife e purê. Antes de começarmos o passeio perguntaram se tínhamos restrições alimentares. Eles teriam preparado um cardápio 100% vegetariano se fosse necessário.

Um fato que achei interessante é que os passeios todos vinham de jeep com um motorista e mais uma pessoa. Uma espécie de babá praticamente. Sara cuidou do nosso soroche, ensinou a mascar folha de coca, preparou café, almoço e jantar. Ela já saiu de Tupiza com todos os ingredientes para preparar a nossa comida na cozinha do próprio hotel.

Delícias da Sara
Delícias da Sara
Delícias da Sara
Delícias da Sara

Jaime nos acordou às 4 da manhã para assistirmos o nascer do Sol e fazia um frio absurdo. Em pleno verão, 4 graus. Não tinha água no hostel e agradeci por ter uma garrafa d’água cheia de sódio e um banho tomado na noite anterior. Seguimos para o Salar do Uyuni para o café da manhã.

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O Salar do Uyuni é o maior deserto de sal do mundo. Você pode visitar na época seca (abril a novembro) ou na época de descongelamento das geleiras dos Andes, quando o Salar fica alagado (janeiro e fevereiro). São duas viagens diferentes e igualmente bonitas.  Você ainda pode escolher o passeio de 2 dias ou o de 4 dias se tiver bastante tempo. No passeio de 4 dias você chega até as lagunas coloridas e os géiseres.

Nascer do sol
Nascer do sol

Nascer do sol

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O lago Michin deu origem ao Salar do Uyuni cerca de 40 anos atrás quando começou a secar e por conta dos vulcões da região começou a formar uma crosta de sal. Abaixo da parte visível da enorme crosta de sal estão outras 10 camadas de diferentes espessuras que vão de 2 a 10 metros.

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Flocos de sal
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Cristais de sal

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No meio do nada você encontra Incahuasi (ou Ilha do Pescado). É um recife de corais com vários cactos muito antigos que chegam a 500 anos. Você pode subir até o topo e admirar o horizonte branco de sal.

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Incahuasi
Incahuasi
Incahuasi
Incahuasi
Incahuasi
Incahuasi

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No famoso hotel de sal você paga uma simbólica quantia para visitar. Basta comprar qualquer item da lojinha de artesanato e pronto, você está lá dentro para visitar.

São poucos quartos com conforto zero e mesmo assim é muito difícil conseguir se hospedar por lá. A cama também e feita de sal e apenas coberta por uma manta de pele de animal ou de lá de llama.

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Em Uyuni também vale a pena visitar o cemitério de trens. É onde os trens mais antigos da Bolívia ficam “estacionados”.

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Estes são Jaime (nosso motorista) e Sara (sua doce esposa).
Estes são Jaime (nosso motorista) e Sara (sua doce esposa). E nossas mochilas exóticas e complicadas.

 

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La Quiaca, Villazón e Tupiza – Argentina / Bolívia

Chegou a hora de atravessar a primeira fronteira. Nada mais, nada menos que 6h no sol para conseguir imigrar da Argentina pra Bolívia.

Muita gente tenta ser espertinha e passar na frente. Muita gente consegue, mas o fato é que os bolivianos têm livre acesso e isso acaba atrapalhando um pouco já que sempre tem gente indo e vindo.

Fomos instruídos a não aceitarmos frutas ou qualquer coisa que seja antes da imigração. Por algum motivo e de alguma forma que desconheço, dizem que colocam drogas dentro das coisas e você pode se ferrar se pegar. Nem sei se isso é real, mas na dúvida achei melhor não arriscar.

A altitude já estava começando a incomodar, mas definitivamente chegar na Bolívia era um mistério para todos nós.

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Quando chegamos em Villazón, não tivemos tantas opções. Era dali para Tupiza ou para Potosi. Encontramos um casal de anjos que disseram gentilmente que a estrada para Potosi era muito ruim para a parte da noite e que deveríamos comprar um bilhete para Tupiza.

Ok, a estrada não foi exatamente maravilhosa. O ônibus era horrível e parecia que se eu não estivesse vacinada poderia pegar tétano a qualquer momento. Os bancos estavam quebrados e tinha ferrugem pra todo lado.

Na Bolívia você sempre vai ver cholas carregando seus filhos (ou qualquer coisa) o awayo, aquele chale colorido nas costas. Elas são de origem indígena e os trajes impostos pelos espanhóis imitam camponesas. Ouvi dizer que a forma como usam o chapéu e a saia (armada ou não) indicam o estado civil delas. Não sei ao certo até onde isso é verdade ou lenda, mas já me falaram sobre isso algumas vezes e vai ser bem legal se for verdade.

Na estrada para Tupiza, tudo que encontramos foi um caminho muito perigoso, sem sinalização e com muitos buracos. Descobrimos também que nesses trajetos (ou até na Bolívia inteira) os motoristas podem consumir bebidas alcoólicas. Óbvio que isso assustou bastante, já que a estrada sozinha já era assustadora e a todo momento parecia que o ônibus podia virar. E sim, nosso motorista não podia ter deixado de parar no caminho pra tomar uma pinga ou qualquer coisa equivalente por lá. Os passageiros ficaram em pânico e começaram a gritar reclamando com o motorista que ele estava achando que éramos carga. Tenso! Bem tenso pra quem ainda tinha algumas horas pela frente.

Chegamos numa cidade que parecia qualquer coisa, menos uma cidade. Muito pequena e sem sinalização. Por sorte, ali perto achamos um hotel e resolvemos passar a noite. Parecia qualquer coisa, menos hotel. Não dava sequer para ir ao banheiro sem pedir companhia. Era bem deserto e escuro. Acreditem, é bastante assustador encontrar um desconhecido no escuro do nada.

Outra característica básica da Bolívia é a falta de higiene. Como não conheci a capital, peço desculpas se tiver julgando mal, mas não vi muitos lugares limpos. Nos restaurantes é comum ver os pratos e talheres sendo lavados numa pia cheia de água suja. Não estou falando da alta gastronomia, que fique claro. Os hoteis também não eram super limpinhos. Alguns nem tinham cheiro agradável.   Mochileiro tem mais é que aguentar, não é mesmo?

Em Tupiza achamos nosso passeio para o Uyuni. Aparentemente era a forma mais inteligente de chegar lá.