Bonito, MS – Brasil

Então…senta que lá vem história. E atenção, se você não gosta de natureza, esse definitivamente não é seu lugar.

Pra começar, quero agradecer a recepção dos meus amigos Junior, Alex e Milena – e suas famílias incríveis que nos acolheram com o maior carinho do mundo durante a Páscoa. Esse 3 merecem uma parte especial no próximo post sobre Campo Grande com direito a comidas especiais, baladas e muitas risadas.

Ao nosso querido amigo Junior que nos pegou no aeroporto e nos levou direto pra balada…de legging e tênis. De lá, direto pé na estrada até Bonito, o lugar que com certeza iria mudar minha percepção sobre muitas coisas. Definitivamente, existem certas coisas como essa que você só faz quando é turista. rs

Voltei com a certeza de que hoje respeito mais ainda a natureza e sabendo como é difícil fazer isso morando onde eu moro. Com um pouco da percepção que aqui ninguém se importa tanto com a natureza, afinal de contas existem problemas piores para serem resolvidos. Bonito é um lugar seguro, rico, natural, preservado e acima de tudo encantador. Um banho de aprendizado para quem quiser se render aos encantos da natureza.

A tabela de preços dos passeios está no final.

Nessa mesma viagem fui passar um dia no Pantanal Sul. Se quiser dar uma conferida, só clicar aqui.

– Sobre Bonito

Bonito é de fato um lugar incrível que foto nenhuma consegue transmitir justamente. E eu me empenhei um bocado com um monte das minhas traquitanas que ocupam minha bagagem de mão.

Conversando com os guias de lá aprendi algumas coisas sobre preservação ambiental e também sobre como a pequena cidade funciona – apesar da aparência de fim de mundo que você tem logo ao chegar. Bonito ainda tem muito para crescer. Com apenas 20 e poucos anos de exploração do turismo, alguns dos inúmeros passeios ainda nem foram descobertos ou tiveram permissão para começarem a funcionar. Já soube que 39 novos passeios estão prestes a serem abertos já que uma das fazendas acabou de ampliar seu espaço físico.

Ouvi várias vezes sobre a tal RPPN, que é como funcionam todos os passeios de Bonito. Ficam dentro de propriedades privadas que são estruturadas para o ecoturismo. São criadas a partir da vontade de proprietário, que assume o compromisso de conservar a natureza, garantindo que a área seja protegida para sempre, mesmo em caso de venda.

As RPPNs são fiscalizadas pelo governo e precisam manter pelo menos 20% de mata nativa (a maioria das fazendas mantém mais de 30% de mata nativa), além de terem que respeitar uma quantidade máxima de visitantes por dia – acredite, se os donos ultrapassarem a quantidade estabelecida podem receber uma multa bastante alta, além de ficarem alguns dias fechados. As consequências realmente fazem com que eles respeitem as regras. Você pode ler mais sobre o assunto em http://www.reservasparticulares.org.br.

Ao chegar nos passeios você logo percebe o amor que todos possuem por aquele pequeno, grande e incrível lugar. Até mesmo aquelas pessoas mais urbanas se sentem mal se jogarem lixo no chão. Essa atividade é extremamente recriminada por todos os guias. Até mesmo cremes para o cabelo, protetor solar e repelente são proibidos dentro dos rios por poluírem as nascentes. Não é à toa que a cidade é referência mundial em preservação ambiental.

Não é difícil entender isso. Mais fácil ainda é respeitar diante de tanta beleza. Não há turista que não se sinta constrangido infringindo as regras que são impostas por lá. Desde o cuidado em deixar seu lixo separado em lixeiras apropriadas para coleta seletiva até percorrer as trilhas sem sair do caminho. Afinal de contas, até mesmo as trilhas foram planejadas para gerar o menor impacto possível na natureza.

Bonito tem cerca de 70 guias que trabalham em diversas atrações da cidade. Para se tornar um guia é necessário ser morador da cidade por 2 anos e fazer mais um curso de 2 anos para se tornar guia regional. O curso de guia nacional não serve. Depois disso, os novos guias são avaliados pelos guias mais antigos e passam a trabalhar nas atrações que mais gostam. Definitivamente é um trabalho sem rotina já que todo dia você pode ver um animal diferente e sempre conhecer pessoas novas de diferentes lugares.

Perguntei também sobre os preços dos passeios porque é normal os turistas acharem os passeios caros e muitas vezes ouvi reclamações. Se você, assim como eu, colocar na ponta do lápis, o lucro não é tão grande assim já que todas as fazendas contam com uma estrutura super segura e fiscalizada e centenas de funcionários. A resposta que obtive foi bem simples. O dinheiro arrecadado com o turismo serve para pagar os funcionários e para subsidiar a pecuária que está presente na maioria (se não em todas) as fazendas de Bonito. Dessa forma o lucro gerado com a pecuária sai limpo para o pecuarista.

Chega de blá blá blá. Você veio aqui para ver fotos e saber sobre os passeios, dicas de hospedagem, transporte e alimentação.

– Passagem e hospedagem

Provavelmente é a primeira coisa que vai passar pela sua cabeça.

Para chegar em Bonito você precisa pegar um vôo para Campo Grande e de lá você pode pegar um ônibus ou até mesmo alugar um carro e ir até Bonito por uma estrada que até parece um tapete. Se você der a mesma sorte que eu, vai ter o prazer de ver o nascer do Sol,  que pelas bandas de lá é incrível.

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Nascer do Sol na estrada

Escolhemos a Pousada Jubaia como nosso local de repouso. Bonito definitivamente não é um lugar de badalação noturna, e se você for em baixa temporada fica até difícil cruzar com muitas pessoas pelas ruas. Como todos os passeios saem bastante cedo e envolvem trilhas, escadas, subidas, descidas, rios e esforço físico…acredito que você também vá querer um lugar pra dormir com conforto e preço justo. Tem para todos os gostos. Os hostels, as pousadas e até mesmo os hotéis mais badalados como o Hotel Cabanas que é um charme.

Aproveito aqui para agradecer a Karen e o Alexandre pela paciência com o nosso roteiro que mudou inúmeras vezes. É sempre um desafio viajar em grupo.

Se você busca um ambiente familiar, com um bom café da manhã, uma boa cama e um bom chuveiro, vai gostar da Pousada Jubaia. Além de tudo isso, tem uma estrutura acolhedora, sem muitos quartos e muito luxo. Apenas um lugar simples que de forma alguma deixa a desejar em nenhum serviço e cumpre perfeitamente o papel de ser uma pousada com uma agência dentro com um preço super justo.

Ah, esteja preparado para a tão falada água de Bonito. Eu se fosse você não ousaria beber, apesar de ser potável. Ela é rica em calcário e pode dar uma desarranjada no intestino, além de não deixar o sabão fazer espuma e deixar o cabelo digno de dread em pouco tempo. Não há condicionador que resolva esse problema. Até a sua pele provavelmente ficará ressecada.

– Transporte

Você vai precisar se organizar com antecedência caso não dirija e não tenha um carro alugado. Existe a possibilidade do transporte compartilhado que passa todos os dias nas pousadas pegando os visitantes dos passeios. Para fazer isso, você tem que consultar a sua agência e agendar os transportes já que são poucos para a quantidade de pessoas que visitam as atrações diariamente.

Nem se iluda que é possível ir andando. Você vai se arrepender.

– Alimentação

Você não vai ter problemas por lá. Tem para todos os gostos e sempre em grande quantidade. Os preços são bastante razoáveis se compararmos com o preço médio que gastamos em capitais como Rio de Janeiro e São Paulo.

Vale a pena visitar o Castellabate O Rei da carne de jacaré. Como eu já desconfiava, tudo ao urucum é bom. Não foi diferente dessa vez. Eu pedi jacaré ao urucum, o prato que tornou o restaurante famoso. Pra matar a curiosidade dos que ainda não provaram, nada mais é do que uma carne com gosto de frango e textura de peixe borrachudo. Não é algo que eu vá sentir saudade.

Se você pedir uma referência para comer e beber para qualquer um que já tenha ido à Bonito, todos vão recomendar o Bar Taboa, que é realmente uma delícia. Um lugar onde os visitantes escrevem recadinhos em todos os lugares. Eu não sou a melhor desenhista do mundo, mas também arrisquei uns rabiscos em um dos poucos lugares livres por lá.

Afogar as mágoas depois de saber que não iríamos para o passeio do abismo.
Afogar as mágoas depois de saber que não iríamos para o passeio do abismo.

Não se surpreenda se alguém te abordar oferecendo cachaça com guavira (a fruta típica de lá) e convidando para um tour pela fábrica de cachaça.

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Não sou pixadora…
Sou artista. De lixo.
…Sou artista. De lixo.

Logo em frente ao Taboa tem uma sorveteria bem gostosa com os sabores locais. Você vai encontrar sorvete de tereré, guavira e muitas outras coisas. Até mesmo o sorvete assado. Se não me engano chama-se Palácio dos sorvetes, mas me falhou a memória e esqueci dessa anotação.

Além disso, você não pode deixar de provar o tereré (ou tererê, como chamam em outros lugares). É a grande febre entre os sul-mato-grossenses. Dizem eles que é para refrescar, mas na minha cabeça é um hábito que eles trazem desde pequenos. É como um chá mate gelado que não foi ferventado. Até mesmo eu que não gosto de mate seria capaz de me apegar pelo tereré.

Os peixes típicos de lá são piraputanga, pacu, dourado e tilápia. Todos sempre muito deliciosos. O único que não me chamou tanta atenção foi o pacu. A cor da carne é um pouco escura e difícil de separar da espinha.

Também não é difícil encontrar o doce de leite feito de leite mesmo. Na maioria dos passeios quando cheguei encontrei uma panela fervendo leite que ficaria lá por horas até fazer o doce. É bem gostoso e bem diferente do doce de leite que estamos acostumados por aqui.

Não poderia esquecer de mencionar a Casa do João. É o melhor restaurante da região. Mais caro também e o último que eu visitei. O lugar mais aconchegante que estive por lá. Já conquista por ser o único lugar onde você vai ouvir MPB, reggae e não só o tal sertanejo que lá é muito mais intenso do que nas capitais. Se você acha que conhece sertanejo porque ouve Gustavo Lima, Luan Santana e Michel Teló, espere até chegar ao Mato Grosso do Sul.

Na Casa do João você será recebido pelo próprio dono que se coloca à disposição para qualquer reclamação caso a cozinha dele erre na mão. Humildade, a comida é deliciosa e algumas guarnições podem ser pedidas quantas vezes você quiser.

Lá você também encontra o Armazém do João. Uma ótima pedida para olhar os incríveis artesanatos muito bem organizados enquanto espera seu almoço ficar pronto. As salas são divididas por estilos. Os de madeira, os indígenas, os folheados a ouro, as louças. Vale a pena! Os artesanatos de lá são realmente diferentes dos que você vai encontrar pelo resto da cidade e vale a pena pagar um pouquinho mais por eles.

– Rio da Prata

Você vai ouvir bastante falar do Sr. Eduardo Coelho. Ele é o dono da incrível fazenda onde fica a flutuação do Rio da Prata, da Estância Mimosa e herdeiro da Fazenda San Francisco, no Pantanal Sul.

Fui recomendada e saí do passeio muito feliz. Foi meu primeiro contato com os rios, os peixes que viviam me beliscando e a vegetação nativa.

Passei uma manhã lá e comi um almoço incrível seguido de um belo cochilo no redário de lá.

A rede que conquistou minha vida e foi reponsável pelo meu maior perrengue com bagagem da vida.
A rede que conquistou minha vida e foi reponsável pelo meu maior perrengue com bagagem da vida.
Doce de leite feito de leite.
Doce de leite feito de leite.

Logo após o almoço fomos chamados para a sala de equipamentos. Lá você não pode fazer o passeio sem a roupa de neoprene e a botinha que muitas das vezes é bastante irritante já que vive ensopada.

Caminhão até a trilha que dá início ao passeio.
Caminhão até a trilha que dá início ao passeio.

Você vai chegar na nascente do Rio Olho D’água, que com certeza foi a nascente com a maior diversidade e quantidade de espécias de peixes que eu vi. Lá você não pode pisar no fundo da nascente para não correr o risco de destruir a vegetação e os pequenos peixes que ficam no fundo do rio.

E logo no começo, quando eu ainda não tinha relaxado diante da possibilidade de encontrar uma sucuri, tive minha primeira surpresa.

Uma anta pulou na minha frente. Por sorte, consegui fotografar apesar do nervosismo que aquele bicho enorme me causou. As antas não são animais dóceis e não estão acostumadas com o convívio com humanos. Podem ser bem agressivas e acabou me assustando bastante já que ela não parava de atravessar de um lado pro outro e espalhar o sedimento que me deixou completamente sem visão alguma.

Minha amiga anta, ainda bem longe de mim.
Minha amiga anta, ainda bem longe de mim.

O passeio é bastante agradável e longo. Dizem que é a melhor flutuação de todas. Já fica aqui minha dica. Se você quiser ver animais, esse é o melhor. O Rio Sucuri não tem tantas espécies. Por outro lado, é mais rico em vegetação no fundo do rio.

Quase no finalzinho você vê o fenômeno da ressurgência – os geólogos, biólogos e estudiosos que me perdoem. Vou reproduzir conforme me falaram – que é quando a água passa por falhas da rocha e desemboca no meio do Rio, parecendo bastante com um vulcão de areia.

Ressurgência ou afloramento
Ressurgência ou afloramento

– Gruta do Lago Azul

Esse lugar é quase surreal. Dá pra esfregar os olhos e achar que não é possível algo no mundo tão bonito assim.

Gruta do Lago Azul
Gruta do Lago Azul

A ida foi até emocionante. No caminho de 20km até lá, conversando sobre argentinos e big brother acabamos passando da entrada da fazenda e só percebemos 8km depois, onde achamos civilização. Desde já, recomendo pontualidade. Por sorte não ficamos de fora do passeio que só permite grupos de no máximo 15 pessoas entrando na gruta de 40 em 40 minutos.

– Balneário Municipal 

É a praia dos sul-mato-grossenses. Uma enorme piscina natural cheia de peixes em uma área que parece um clube. Com quiosques, churrasqueiras e rede para jogar vôlei.

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Essa também foi minha oportunidade de experimentar o tereré enquanto ouvia a história da Dona Marcela. Casada há 20 anos, chifrada pelo marido, divorciada e amante do próprio ex marido há 5 anos. Já tava verde e não sabia como cortar o papo.

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– Projeto Jiboia

Esse é definitivamente o lugar pra você que tem medo de cobras. Você vai aprender que elas não são tão perigosas assim, não são nojentas, nem molhadas, nem fedidas.

Apesar disso tudo, você pode ficar meio tenso se levar uma linguada de uma delas.

Por pedido do Homem Jiboia não vou postar a foto de uma delas se alimentando com um lindo ratinho. ❤

Momento pós lambidinha.
Momento pós lambidinha.

– Passeio de bote no Rio Formoso

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A palavra “passeio” cumpre bastante o papel. Escolhi esse passeio entre as duas opções (a outra era o boia cross). Não dá pra dizer que é chato, mas em um passeio de 2h são poucas as quedas e nem dá pra chamar de rafting.

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Maior queda: 2,8 m

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– Balneário do Sol

É um lugar bastante legal, mas confesso que fui pra lá e praticamente só dormi e comi. rs

Lá você tem um espaço enorme pra tirolesa, banho, sinuca e tudo que você quiser. De quebra você ainda pode dar uma voltinha no Guri ou tirar uma fotinho com o Kiko.

Guri, um amor em 40 arrobas.
Guri, um amor em 40 arrobas.
A vista de cima. Belo chifre, Guri!
A vista de cima. Belo chifre, Guri!
Kiko, mas só chame se não tiver chovendo. Ele tem o direito de não querer tirar foto.
Kiko, mas só chame se não tiver chovendo. Ele tem o direito de não querer tirar foto.

– Estância Mimosa

Tá aí um passeio que eu não ia fazer , mas como fui vetada do Abismo Anhumas, tive que arrumar uma ocupação. Foi bastante agradável. Os guias são divertidíssimos e vivem fazendo piadinhas que te pegam de surpresa.

Ah, não deixe de visitar a gruta dos desejos. Provavelmente você vai realizar o seu. hahahaah

É um passeio de alguns quilômetros com várias paradas para banho de cachoeira.

Aqui fica um grande agradecimento ao Artur e ao Wanderson, que fizeram do meu dia um dia muito mais divertido.

Raquel, eu ja superei essa história toda do abismo. rs …. muito obrigada pela companhia!

Raquel: dessas pessoas que você conhece durante a viagem e que te ensinam um monte de coisas. Hoje eu saí do zero e sei alguma coisa sobre agronomia. rs
Raquel: dessas pessoas que você conhece durante a viagem e que te ensinam um monte de coisas. Hoje eu saí do zero e sei alguma coisa sobre agronomia e sobre venda de bois. rs
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Almoço pronto!

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Lago dos jacarés

– Cabanas Arvorismo

Com certeza o passeio que mais me desafiou. Não é tão simples ficar há 15m de distância do chão e ainda pensar que eu realmente não vou cair. Tudo bem, meus guias Gilmar e Carlos foram sensacionais e não me deixaram desistir no meio, nem no final com aquela tirolesa de costas.

E ainda preciso muito agradecer ao casal que conheci por lá e me garantiu muitas risadas, embora eles já tenham voltado pra Europa e eu nunca mais vá encontrar os dois. Foi incrível ouvir Leandro chamando a mãe do Andre de louca. O Andre, coitado, polaco…reclamando porque não sabia o que estava fazendo lá.

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– Rio do Peixe

Você deve se perguntar qual dos passeios tem o melhor almoço. Sim, o Rio do Peixe é o melhor nesse quesito e em muitos outros. É um passeio para o dia todo. Você com certeza vai conhecer o Sr. Moacyr, dono da fazenda e um senhor bem fofo e disposto. Além de disponível.

Se você ama mesmo os animais, também vai se encantar com o Dudu, o lulu da pomerânia fofo que mora lá.

Duda
Dudu

Você pode ter sorte com o guia como eu e conhecer o Aza (de Azaleia mesmo, não me pergunte porque). Super divertido e brincalhão, participa dos banhos nas cachoeiras e realmente demonstra amor pelo que faz. Ainda não sei como, mas ele consegue ter uma van lotada e memorizar todos os nomes das pessoas logo cedo.

A caminhada é longa e eu não faço ideia de quantos quilômetros caminhei, mas sem dúvidas foi um passeio incrível.

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Na volta, o almoço está servido com inúmeras opções e, pelo horário, não tem quem coma só uma vez.

Logo você vê os micos entrando no restaurante para roubar comida…e não demora muito e o Sr. Moacyr começa a distribuir bananas e perfilar os visitantes do dia para alimentar os macacos. Que coisa mais fofa! Eles pedem carinho e pegam inúmeros pedacos de banana de uma vez só.

Acho que ele ficou irritado porque eu fique segurando a banana.
Acho que ele ficou irritado porque eu fique segurando a banana.

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Você vai ter tempo de curtir o redário e esquecer do tempo por lá. Mas não por muito tempo. Logo logo o Sr. Moacyr vai te chamar para tirar foto com a arara mais linda de todas.

Redário
Redário
Quem não teria medo de perder o beiço?
Quem não teria medo de perder o beiço?

– Aquário Natural

Aqui você descobre que realmente o Rio Sucuri não fez falta. Logo que você chega é levado para o balcão de equipamento e em seguida para uma piscina, onde o primeiro choque já é o banho gelado pela manhã antes de entrar na água. É suficiente para despertar qualquer defunto.

A vegetação no fundo do rio é incrível e a nascente é exageradamente cristalina.

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Clarissa dando as instruções e mostrando mais um pouco do seu amor por Bonito.

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Nesse rio só é permito pisar no tablado que dá início ao passeio e no último. O restante do trajeto é feito com as mãos, sem bater as pernas e sem tocar o chão.

O que me impressionou nesse passeio foi a estrutura do local. Para os que nunca usaram snorkel na vida, recomendo que esse seja o primeiro passeio. Assim que você chega já te explicam como funciona cada equipamento e pra que eles servem. Como o passeio é relativamente curto, você já consegue pegar uma certa intimidade com o tal snorkel que seja suficiente para não sugar água nem deixar os óculos embassados ou alagados.

No final do passeio, chegamos ao Rio Formoso para um banho na água que foi a mais gelada que entrei durante a semana inteira.

Banho no Rio Formoso

Esse post continua em dois novos capítulos: Pantanal Sul e Campo Grande.

Veja aqui a tabela de preços dos passeios em Bonito (vigente em março de 2013). Para consultar a tabela atual, clique aqui.

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Clique aqui para baixar a versão da tabela em PDF

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Florianópolis, SC – Brasil

Florianópolis com certeza vai deixar boas lembranças. Até mesmo eu que vivo uma relação de amor e ódio com o meu tão querido e problemático Rio de Janeiro fiquei de queixo caído com as belezas que vi por lá.

Voltei segura de que nem mesmo 1 mês me faria ficar satisfeita e conhecer tudo por lá. Ah, sinto em desapontar os mochileiros, mas dessa vez optei por um hotel.

A escolha do hotel já foi bastante conturbada. Mesmo programando a viagem com antecedência, nenhum hotel parecia perto dos lugares ou em conta nessa época do ano. Decidimos tudo aos poucos. Primeiro a passagem (que você pode conseguir bem barata se programar com antecedência e bem cara se deixar pra cima da hora), depois o hotel e por último a festa do Ano Novo.

Partimos dia 25 ainda de madrugada pra Floripa com um monte de dúvidas. Primeiramente, aquela insegurança sobre o hotel, já que o TripAdvisor só tinha críticas ruins para nos dar. Primeiro o mofo, depois os quartos acabados, o serviço ruim. Definitivamente o Hotel Castelmar não tinha nenhuma dessas características. Pelo menos pra nós. O quarto era amplo, com sala, varanda, dois quartos e um banheiro espaçoso. O único inconveniente era a distância que estávamos de tudo.

Impossível não bater uma preguiça só de pensar no trabalho que daria para chegar nos lugares.

No primeiro dia nos aventuramos de ônibus. Não era possível que fosse tão difícil a locomoção quanto as pessoas falavam. Bom, é verdade. É bastante complicado o transporte público em Florianópolis. A cidade não tem muita estrutura pra receber o turismo em alta temporada. É óbvio que isso jamais destruiria nossa viagem.

Praia dos Inglese
Praia dos Ingleses

O trajeto centro-ingleses-santinho é realmente cansativo se você fizer de ônibus, mas nada é impossível se você quiser. A Praia dos Ingleses estava meio suja, então fomos conhecer o Santinho, que de cara pareceu o lugar perfeito para ficar o resto do dia. Não fosse a dificuldade pra voltar de ônibus e a ventania no final do dia, seria o lugar perfeito para todos os dias.

Praia do Santinho
Praia do Santinho

Graças ao mochileiros.com (como sempre) conseguimos fazer um grupo bem legal de novos amigos e marcar alguns encontros com a galera. Na praia, num showzinho ou num bar.

Na nossa primeira noite já conhecemos nosso primeiro grande amigo de viagem e fomos “dar umas bandas” por Floripa, como falam por lá.

Descobrimos que Lagoa da Conceição definitivamente é um lugar pra todos os públicos e gostos. Se você quiser um reggae, um rock, um bar alternativo ou uma coisa mais roots, lá é o lugar. Ah, não faltam pessoas de todos os tipos andando pelas ruas e casas, hoteis, albergues para se hospedar. Aparentemente fica perto de tudo que pode interessar e é um lugar bem legal.

E já que estávamos por Santa Catarina, por que não visitar o Beto Carrero? Fomos por um caminho de ida que durou 45 minutos e na volta 4 longas horas. Sim, o trânsito não está apenas nas grandes cidades. Eu ainda acho que os catarinenses veêm o trânsito (ou a fila) de uma forma bem diferente. Trânsito nenhum que pegamos por lá foi suficiente para irritar ou estressar. O carioca, o paulista e talvez alguns outros têm um parâmetro diferente do que é demorar para chegar em algum lugar.

Voltando ao Beto Carrero, não é um parque muito grande, mas vale conhecer se você gosta de montanha russa e brinquedos que minha coluna certamente não aguentaria. Fica aqui minha felicidade. O extreme show não deixa NADA a desejar se comparado com o show de carros do Hollywood Studios. Pelo contrário, eu diria que é até melhor.

Extreme Show
Extreme Show

A alta temporada em qualquer lugar é um problema. Já que o calor deu uma trégua e a chuva não veio até o momento que começamos a peregrinação na volta pela estrada, por que não reclamar da fila da Firewhip. A melhor sensação que já tive em montanhas russas verticais até hoje. Ela é realmente incrível e vale a pena pegar a fila. Não só uma, mas duas, três…quantas vezes forem necessárias.

Ah, não comam balas ou chicletes, vocês podem engasgar. No final você vai estar eufórico. Se você ficar tanto tempo quanto eu na fila, vai ouvir essas duas frases algumas dezenas de vezes. rs

Não mata nem os mais medrosos como eu, que sempre acham que vão morrer do coração.
Não mata nem os mais medrosos como eu, que sempre acham que vão morrer do coração.

Carioca que é carioca vai procurar funk até onde não tem. E foi num belo dia desses que resolvemos nos aventurar na nossa primeira balada. De cara achamos engraçado. Um lugar que permite a entrada de menores de idade. E como tinha funk, só tinha menores de idade. Tudo bem, com certeza as músicas que fizeram parte da minha infância não fazem parte da infância de 80% do público do lugar. Mesmo assim, não dá pra dizer que foi uma noite ruim. Me diverti bastante com o MC Andinho e todas as músicas dos anos 90.

Como todas as últimas viagens, essa também foi marcada por um esporte. Não nos bastou ter a sensação de que ficar em pé na prancha de snowboard era mais fácil do que no ski (apesar dos dois apoios e dos bastões), resolvemos nos aventurar no sandboard.

Com certeza foi divertido e cansativo. E realmente, se a sensação for parecida, esse tipo de prancha é mesmo bem mais fácil de se equilibrar do que as do ski.

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E como não falar do tombo que destruiu a minha coluna por dias?

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Definitivamente não tem como não cansar, não comer areia ou controlar a quantidade de areia que você vai levar pra casa dentro da roupa. Prepare-se para ralar bastante também. E rir muito.

Fizemos também um passeio de barco. Que durou 6h, terminou e começou em chuva. E frio. E na Baía dos Golfinhos, bem…eles não estavam por lá.

Passado o preconceito com o tal Jurerê Internacional, resolvemos conhecer a tal praia e as tais mansões e carrões que passeiam por lá. Para morder a língua, foi a praia que eu mais gostei…e mais um lugar para fazer novos amigos.

Nossos amigos Junior e Alex, de Campo Grande – MS demoraram 5 dias para chegar (acho que foram só 2, mas a impressão que eu tive era que eles não saíam do lugar jamais).

É bem a cara de Jurerë achar dinheiro dentro do mar, não?
É bem a cara de Jurerë achar dinheiro dentro do mar, não?

Chegou nossa penúltima noite e com certeza a mais divertida.  No finalzinho da viagem e ainda tinha um show do Sambô e um Ano Novo na manga. O lugar da noite foi a Alameda Casa Rosa, um lugar bem legal onde fazem shows de vez em quando. A diversão tava garantida e o som era dos melhores. Mais uma vez, fizemos amizade. Dessa vez com um garçom do lugar…e na volta pra casa, aquela carona. Não iríamos deixar o novo amigo na mão. Ok, confesso que a intenção era sair de lá e ir pra outro lugar, mas todo mundo morgou…e fomos direto pra casa. Valeu a pena apesar da super lotação e do mega calor.

E chegou o último dia do ano…cheio de ressacas, dores, preguiças e reflexões. Levantar da cama no dia 31 não foi a coisa mais fácil do mundo. Era o último dia de viagem. Dia de arrumar novamente as malas, de deixar 2012 pra trás e véspera de voltar para a dura realidade.

A virada do ano foi meio atípica. Não sei se meu corpo não aguentava mais a badalação, se a festa estava muito cheia ou se foi só a queima de fogos antecipada e a falta que eu senti de uma contagem regressiva…mas naquele instante senti falta da energia de uma boa virada na Praia de Copacabana. Pensei, os catarinense ainda têm muito pra aprender sobre isso com o Rio de Janeiro.

Aqui fica meu recado para 2012. Valeu, você conseguiu passar da forma menos discreta possível e mudar minha vida desde o primeiro dia até o último.

Obrigada por toda a sorte que tive e toda a sorte que ainda vou ter.

Agradeço por ter tido a oportunidade de refletir sobre meu ano sob os poderes da incrível Ilha da Magia e agradeço incondicionalmente por todas as pessoas que passaram pela minha vida com a habilidade de mudar alguma coisa em mim e por aquelas que eu vou fazer questão de manter na minha vida enquanto eu puder viver a vida exatamente da mesma forma, a melhor possível.

Espero levar todos os ensinamentos, os amigos, as palavras, os conselhos, as trocas de cultura e o sotaque misturado daqui pra frente e para todo o sempre.

Que a vontade de manter amizades permaneça em nossas vidas. Que a gente se visite e se ame sempre mais. E que a rotina jamais faça de nós distantes.

Que meus novos amigos sejam velhos amigos dentro de muitos e muitos anos e que não nos falte a saúde um dia.

Aos que eu tive o prazer de compartilhar momentos inesquecíveis…Alex e Junior.

Aos que ainda não pude conhecer, mas que pela internet se fizeram presentes na mesma viagem…Isabella, Marcos e Wally.

À Tia Ione, que além de ser mãe da minha amiga também considero como minha mãe. Obrigada pelo carinho, pela companhia, pela disposição e  pela disponibilidade. Espero que você tenha curtido tanto quanto eu. Amo você!

Por último e jamais menos importante, à minha amiga e grande companheira de aventura, Ligia…que você permaneça na minha vida por muitos e muitos anos. Nem sempre me falando o que eu quero ouvir, mas o que eu preciso. Que eu possa ser uma boa companhia enquanto a vida durar.

Por que a gente acha que precisa de tanto? Amizade certamente é a palavra que resume tudo que a gente pode um dia precisar.

Ilha da Magia, eu te amo desde o primeiro minuto e não vejo a hora de voltar.

Pode vir, 2013…eu já não aguentava mais te esperar.

Até breve, em Bonito – MS.

Sobre mochilões, viagens, devaneios e muitas aventuras.