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Furadas de blogueiros – por Alessandro Batalha

TEMA DE HOJE: GRAND BAZAAR, TURQUIA
Dando continuidade aos posts dessa seção, recebi uma história do Alessandro Batalha sobre sua viagem para Istambul e vou contar aqui.

Alessandro esteve na Turquia em 2012 e disse que foi incrível. O que tornou a experiência dele tão rica foi interação com as pessoas. Ter o contato com os costumes locais e culturas exóticas proporcionam momentos incríveis, mas também podem te colocar em situações constrangedoras. Em especial no Oriente Médio, onde nossas atitudes podem ser consideradas um ato criminoso ou um pecado mortal, dependendo do lugar.

Mesquita Azul @ Turquia
Mesquita Azul @ Turquia

Por sorte Istambul é uma cidade turística e bastante tolerante, mas isso não fez com que o Alessandro tivesse menos histórias engraçadas para contar. A história de hoje é sobre o esporte preferido dos turcos: a negociação. Quem já esteve em Istambul conhece o Grand Bazaar e provavelmente vai se identificar com o relato que o Alessandro me enviou.

Para começar as negociações, saiba de duas coisas.

Regra nº 1: jamais aceite o primeiro preço, negociar faz parte do negócio. Deixar de pechinchar tira o prazer da negociação e estraga toda a brincadeira.

Regra nº 2: se você der um lance, honre seu lance. Isso é muito sério.

Depois de um dia inteiro andando pelo Grand Bazaar e adquirindo quinquilharias inúteis, lembrancinhas e presentes ele já estava fugindo dos vendedores que ficavam cada vez mais insistentes conforme o dia ia chegando ao fim. Depois de muito andar, a irmã dele parou em uma loja e ele ficou esperando do lado de fora. Nesse momento ele foi capturado.

Grand Bazaar @ Turquia
Grand Bazaar @ Turquia

Um cara levou o Alessandro pra dentro da sua loja insistindo que ele deveria dar uma olhada nos lindos tapetes. E os tapetes eram realmente bonitos, mas não passou pela cabeça dele comprar um daqueles trambolhos e despachar para casa. Ele ainda ia para Londres antes de voltar para o Brasil e carregar um tapete estava fora de cogitação. Mas ele não quis ser grosseiro e o cara foi envolvendo ele na conversa.

Ele começou mostrando a coleção e disse que um tapete X custava apenas EUR 220, uma pechincha. E a coisa foi evoluindo da seguinte forma.

– Muito caro, não tenho como pagar isso. Eu sou brasileiro, ganho em reais, moço…
– Tudo bem, pra você eu faço por 220 reais, porque eu adoro o Brasil.
– Te agradeço, mas infelizmente não tenho como levar um tapete deste tamanho no avião.
– Eu faço um bom embrulho pra você, que vai ser fácil despachar.
– Não obrigado, preciso ir agora.
– Pra você levar, porque o Bazaar está fechando, faço por 150 Liras.
– Meu amigo, eu nem tenho onde colocar isto. Não cabe no meu apartamento. Obrigado.
– Não tem problema, por 100 Liras você leva este aqui que é menor e tem a mesma linda estampa.
– Eu sou alérgico, não posso ter tapete em casa.
– Você pode levar pra sua sogra, ela vai adorar.
– Minha sogra também não tem onde colocar isto. De verdade, não insista, eu não quero levar.

Naquele momento ele já estava rodeado pelos ajudantes do vendedor, que estendiam uma quantidade enorme de tapetes de todas as cores e observavam a “venda” cheia de habilidade do mestre. Alessandro se sentiu um touro sendo espetado pelo toureiro, que se exibia para o público com a certeza de que a fera estava dominada.

– Vamos fazer o seguinte: me diga qual é o seu preço.
– Não vou pagar nada, eu não quero tapete nenhum – ele falei, já bem irritado…
– Quer pagar quanto, meu filho? 80 Liras está bom pra você?

Então, com a intenção de encerrar aquele papo, ele disse em tom de bravata:

– Eu pago no máximo 20 reais!

Foi aí que bateu um desespero gigante, porque o ajudante do vendedor começou a embrulhar o tapete em uma sacola preta, quase automaticamente, dando a negociação como encerrada enquanto o chefe fazia um teatro com ar de ofendido:

– Desse jeito você quer me falir! Assim você me ofende… Meu produto é o melhor do Grand Bazaar, meus tapetes são de altíssima qualidade!
– Tudo bem, me desculpe. É porque eu não quero mesmo… eu estou vendo que seu produto é muito bom.
– Ok meu amigo, você venceu. Pode ficar com o tapete por 20 reais…

Como que um tapete de EUR 220 poderia ser vendido por 20 reais? E como ele ia levar?

Foi nesse momento que ele foi contra a regra número 2. Fugiu da negociação que já estava encerrada dizendo que não ia levar o tapete mesmo que por 20 reais. Pediu mil desculpas, constrangido até que o cara entendeu que ele não ia mesmo levar nenhum dos tapetes.

Então o vendedor pegou ele pelo cotovelo, levou para fora da loja e encostado no ouvido do Alessandro disse:

– Você vai se arrepender, mas se você quiser comprar alguma coisa na minha loja de novo, pra VOCÊ, o preço vai ser 250 EUROS!

Fica aí a dica: nunca faça um lance se não tiver a intenção de comprar produto.

avatar_Lagoa Parque del retiroSOBRE O AUTOR: Alessandro Batalha é autor do blog Batalhas Pelo Mundo, carioca, nascido em 1981, Engenheiro Civil, casado. Gosta de música, arte, leitura, experimentar comidas exóticas, bons vinhos, cervejas e biritas em geral. Além disso, é nerd assumido, viajante eventual, com uma boa parcela de ótimas histórias pra contar.

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