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11 Mitos e verdades sobre a Cidadania Italiana

Se você está ou esteve em busca da sua cidadania italiana por muito tempo já deve ter ouvido um monte de histórias assustadoras (ou animadoras) sobre esse assunto.

A ideia desse post é desmitificar alguns desses assuntos pra todo mundo. E quem sabe um dia as pessoas não param de inventar, né?

1 – Se você casar com um italiano (a) deixa de ser brasileiro (a).

FALSO. Ninguém vai te obrigar a deixar de ser brasileiro. O que acontece é que vários países que não têm acordo com o Brasil (como os EUA, por exemplo) obrigam que você abra mão da sua cidadania de origem se quiser se tornar cidadão do novo país. Por isso muita gente acha que o mesmo acontece entre Brasil e Itália. Isso não é verdade. Não é visto com bons olhos ter duas cidadanias, mas obrigar você a renegar, ninguém vai, ok? Lembrando aqui da regra para matrimônio. Só naturaliza depois de 3 anos de casados (morando no Brasil) ou um ano de casados (morando na Itália). Com filhos o tempo cai pela metade.

2- Todo e qualquer erro de digitação nas minhas certidões precisa de retificação.

FALSO. Calma…muita calma. Custa caro e toma um tempo extra pra retificar certidões. Fora o aborrecimento. Antes de se empolgar, consulte o Consulado. Só é realmente obrigatório (na maioria dos casos) quando fica em dúvida a linhagem. Ou seja, quando se trata de nomes e sobrenomes muito comuns, datas divergentes. Aí sim você precisa retificar.

Nossos antenatos chegaram aqui de navio e com certidões escritas à mão. Se vocês forem ver, é quase impossível entender o que está escrito. Por isso, em muitos casos, vários nomes foram abrasileirados ou tiveram pequenas modificações. Giuseppes viraram Josés. E por aí vai. Isso não é considerado um enorme problema.

Aqui estou eu pra provar que o meu sobrenome não é o mesmo da família e não retifiquei. Ninguém me exigiu isso em momento algum. Ficam fora daqui os casos das pessoas que querem incluir nomes que ficaram fora de certidões ou fazem questão de resgatar a história da família e manter o nome conforme o original.

3- Ah, beleza! Agora eu sou italiano. É só chegar na Europa e vai ser moleza de arrumar um emprego.

FALSO (mas depende). Conseguir um emprego na Europa não depende só do fator nacionalidade. Muitos outros fatores são importantes pra alavancar. Estudo internacional, habilidade com outros idiomas, experiência profissional em boas empresas podem ajudar. Ser cidadão europeu facilita na parte burocrática da contratação. De resto, na maioria dos lugares, você continua sendo um imigrante. Jamais esqueça disso e chegue com humildade.

4- Sou italiano e não falo italiano. Isso deve ser muito grave.

VERDADEIRO. É visto com muito maus olhos você ser cidadão de um país e não falar a língua desse país. Já li sobre esse assunto em vários lugares e já tive um exemplo disso na fila do consulado. Ouvi uma conversa de uma menina com dois italianos (nativos) em inglês. E a pergunta foi:

– Ué, mas você é italiana, seu pai nasceu na Itália, é diplomata e você fala tão bem inglês?

Não preciso dizer que a menina ficou bem sem graça, né? É certo que os motivos que fazem os brasileiros aprenderem inglês antes de aprenderem italiano estão ligados ao mercado de trabalho (e ao fato de inglês ser uma língua global), mas indo pra Europa é uma ótima ideia começar a aprender. Afinal de contas…se você já fala português e inglês e está aprendendo uma terceira língua, quem são eles para questionar, né? O errado é achar que o que a gente tem já basta. Humildade, sempre.

5- A cidadania italiana tem limite de gerações para transmissão.

FALSO. Esse é um dos mitos mais comuns de se ouvir. Muitas cidadanias só são transmitidas até avós e por isso as pessoas que não sabem muito sobre o processo tendem a dizer que tem limite. Não é verdade, mas é claro que quanto mais longe, mais difícil e mais caro vai ficar seu processo.

6- Preciso reconhecer a cidadania do meu pai antes de reconhecer a minha.

FALSO. Aqui estou eu! Sou bisneta de italianos (provando que o mito 5 é mito mesmo e o 6 também) e fui eu que abri a pasta no Consulado. Mais ninguém na minha linhagem até agora teve a cidadania reconhecida e não tive problema algum com isso.

O que acontece normalmente é que alguém vai ser o primeiro.  Esse gasta mais dinheiro e tem mais documentos para apresentar. Os outros só aproveitam. Mas, vamos para o mito 7.

7- Meu primo tem pasta no Consulado (brasileiro) e eu vou usar a pasta dele.

VERDADEIRO. Funciona assim: alguém da família leva todos os documentos e abre a pasta.

Organizando direitinho dá pra dividir os custos e não fica pesado pra ninguém. Só que todas as famílias são iguais e só muda o endereço, né? A tendência é que alguém abra a pasta, pague sozinho e o próximo só complemente com os próprios documentos.

8- Meus documentos vão ficar no Consulado e qualquer pessoa da minha família vai poder usar.

VERDADEIRO. Sim, sim e sim. Sua pasta tem um número. Ela junta a linhagem da sua família inteira (inclusive quando tem pequenas divergências nos sobrenomes) e qualquer um que esteja interessado vai chegar lá e pedir pra ver a pasta e ter acesso. Justo, não é. Mas é assim que funciona.

9- Mulheres na linha de transmissão fazem você perder o direito à cidadania.

VERDADEIRO (em partes). Ter uma mulher na linhagem pode atrasar o seu processo. E aí você precisa ficar super atento às datas. Se o filho dessa mulher tiver nascido antes de 1948 você vai precisar contratar um advogado para entrar com processo por via judicial e garantir a sua cidadania. Vai custar mais e vai demorar mais, mas você ainda assim tem direito. Se o filho for nascido a partir de 1948, tudo normal por via administrativa tanto pelo Brasil quanto pela Itália.

10- Eu não tenho sobrenome do antenato italiano. Perdi o direito a cidadania.

FALSO. A cidadania é transmitida por laço sanguíneo (jure sanguinis) e não pelo sobrenome. Ter o sobrenome é um capricho, porém não obrigatório.

11- Me disseram que é impossível reconhecer cidadania pelo Brasil.

FALSO. Super falso. Não é impossível e não demora 20 anos. Meu processo inteiro demorou 2 anos e meio em uma época que estava super demorado o Consulado do Rio de Janeiro. As filas já estão bem menores. Hoje o maior problema é agendar (e ter a documentação de acordo com o que é pedido, claro). Conseguindo agendar, em 1 ano e meio o passaporte já está em mãos. Alguns Consulados são mais demorados (São Paulo, por exemplo)…mas não é impossível. Tudo depende da sua urgência e disponibilidade financeira.

Acho que consegui reunir aqui as maiores dúvidas sobre a Cidadania Italiana. Espero ter conseguido esclarecer muitas das angústias de vocês. Qualquer outra dúvida é só enviar um comentário.

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Cidadania Italiana – Localização de documentos italianos

Para começar o processo você vai precisar dos registros de nascimento, casamento e óbito de toda a linhagem até chegar em você. Desde o italiano nascido na Itália.

Atualmente o Consulado do Rio de Janeiro não exige mais a certidão de óbito. Somente em casos específicos, como foi o meu. Meu avô foi registrado alguns anos depois do nascimento. Nesse caso eles pedem a certidão de óbito para explicar o motivo. Meu avô tinha sido registrado após o óbito do meu bisavô.

No meu caso eu tinha localizado uma carta enviada pelo comune para a irmã do meu avô e acabei localizando os outros documentos porque naquela época (do nascimento e casamento dos meus antenatos) as pessoas eram registradas nos mesmos lugares.

Se você tiver uma pista, envie um e-mail para o Comune com informações como:

  • Seu nome
  • Nome do antenato que está procurando
  • Tipo de certidão que está procurando
  • Data da ocorrência (se não souber a data, dê pelo menos um intervalo para facilitar a busca)

Alguns comuni são extremamente complicados porque recebem muitos pedidos de brasileiros e acabam não sendo tão ágeis ou solícitos. No meu caso, apesar de ter demorado, consegui receber os documentos. Em geral são enviados sem custo pra quem pedir.

MODELO DE PEDIDO DE DOCUMENTO ABAIXO (Para o comune)

Atenção: preencher com os seus dados e o tipo de documento que está solicitando.

All’Ufficio Anagrafe

del Comune di NOME DO COMUNE – PROVINCIA

Sono discendente di SOBRENOME, NOME, nato in codesto Comune il DD/MM/AAAA, figlio di NOME DO PAI o e di NOME DA MAE emigrato in Brasile.

Il sottoscritto, TEU NOME COMPLETO, nato il (DIA DO SEU NASCIMENTO DD/MM/AAAA) a (Cidade/UF), Brasile, richiede:

– Estratto dell’atto di nascita

Vi prego di voler cortesemente inviarmi una copia dell’estratto dell’atto di nascita del predetto nonché informarmi delle sue complete generalità e di ogni altro elemento di identificazione.

L’indirizzo per la spedizione:

<<<

Seu endereço aqui…

>>>

Distinti Saluti

Seu nome completo.

Se você não tiver pista alguma sobre seu antenato as coisas começam a ficar complicadas, mas existem alternativas.

Dicas comuns são procurar no Arquivo Nacional e nos registros de imigrantes. Existem inúmeras outras como: paróquias, comuni, cartórios, family search etc. Toda ajuda é valida.

Vale lembrar que as certidões em inteiro teor fazem referência aos arquivos originais daqui do Brasil. Os documentos mais complicados de localizar costumam ser as certidões italianas, mas algumas famílias são características de uma região específica e com alguma pesquisa dá pra excluir vários lugares.

Certidões brasileiras de casamento com data de mais de 5 anos não costumam ficar ter as certidões de nascimento correspondentes arquivadas. Você precisa realmente saber em qual região a pessoa morava ou nasceu e começar a procura nos cartórios que ficam perto do endereço de moradia.

Certidões de nascimento brasileiras de avós, bisavós, trisavós costumam ser de difícil acesso. No meu caso consegui no arquivo nacional e somente depois o cartório localizou.

Acredite em quase tudo que for falado sobre os cartórios. Alguns não têm boa vontade de fazer a busca quando você faz a solicitação e podem atrapalhar sua vida.

Como existem muitas formas de localizar documentos vou atualizando o post conforme for lembrando de mais detalhes.