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La Quiaca, Villazón e Tupiza – Argentina / Bolívia

Chegou a hora de atravessar a primeira fronteira. Nada mais, nada menos que 6h no sol para conseguir imigrar da Argentina pra Bolívia.

Muita gente tenta ser espertinha e passar na frente. Muita gente consegue, mas o fato é que os bolivianos têm livre acesso e isso acaba atrapalhando um pouco já que sempre tem gente indo e vindo.

Fomos instruídos a não aceitarmos frutas ou qualquer coisa que seja antes da imigração. Por algum motivo e de alguma forma que desconheço, dizem que colocam drogas dentro das coisas e você pode se ferrar se pegar. Nem sei se isso é real, mas na dúvida achei melhor não arriscar.

A altitude já estava começando a incomodar, mas definitivamente chegar na Bolívia era um mistério para todos nós.

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Quando chegamos em Villazón, não tivemos tantas opções. Era dali para Tupiza ou para Potosi. Encontramos um casal de anjos que disseram gentilmente que a estrada para Potosi era muito ruim para a parte da noite e que deveríamos comprar um bilhete para Tupiza.

Ok, a estrada não foi exatamente maravilhosa. O ônibus era horrível e parecia que se eu não estivesse vacinada poderia pegar tétano a qualquer momento. Os bancos estavam quebrados e tinha ferrugem pra todo lado.

Na Bolívia você sempre vai ver cholas carregando seus filhos (ou qualquer coisa) o awayo, aquele chale colorido nas costas. Elas são de origem indígena e os trajes impostos pelos espanhóis imitam camponesas. Ouvi dizer que a forma como usam o chapéu e a saia (armada ou não) indicam o estado civil delas. Não sei ao certo até onde isso é verdade ou lenda, mas já me falaram sobre isso algumas vezes e vai ser bem legal se for verdade.

Na estrada para Tupiza, tudo que encontramos foi um caminho muito perigoso, sem sinalização e com muitos buracos. Descobrimos também que nesses trajetos (ou até na Bolívia inteira) os motoristas podem consumir bebidas alcoólicas. Óbvio que isso assustou bastante, já que a estrada sozinha já era assustadora e a todo momento parecia que o ônibus podia virar. E sim, nosso motorista não podia ter deixado de parar no caminho pra tomar uma pinga ou qualquer coisa equivalente por lá. Os passageiros ficaram em pânico e começaram a gritar reclamando com o motorista que ele estava achando que éramos carga. Tenso! Bem tenso pra quem ainda tinha algumas horas pela frente.

Chegamos numa cidade que parecia qualquer coisa, menos uma cidade. Muito pequena e sem sinalização. Por sorte, ali perto achamos um hotel e resolvemos passar a noite. Parecia qualquer coisa, menos hotel. Não dava sequer para ir ao banheiro sem pedir companhia. Era bem deserto e escuro. Acreditem, é bastante assustador encontrar um desconhecido no escuro do nada.

Outra característica básica da Bolívia é a falta de higiene. Como não conheci a capital, peço desculpas se tiver julgando mal, mas não vi muitos lugares limpos. Nos restaurantes é comum ver os pratos e talheres sendo lavados numa pia cheia de água suja. Não estou falando da alta gastronomia, que fique claro. Os hoteis também não eram super limpinhos. Alguns nem tinham cheiro agradável.   Mochileiro tem mais é que aguentar, não é mesmo?

Em Tupiza achamos nosso passeio para o Uyuni. Aparentemente era a forma mais inteligente de chegar lá.